Página 22 - Turcaça 33

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s 26 (!) javalis cobrados em
2012 foram, ev i den-
temente, notícia, pelo que
a Montaria de Vilarinho do Monte,
Macedo de Cavaleiros, foi, em
Fevereiro último (dia 9), muito
concorrida, com o número de portas
efectivas a superar a centena. A
organização, uma legião de
emigrantes (sediados em França)
que adora a caça e as suas origens
lusi tanas, não falhou com o
prometido e o quadro de caça
também não defraudou, cremos, os
monteiros presentes: 14 reses
cobradas. A carne de caça, essa,
foi dividida entre os caçadores no
“levantar da feira”, um hábito em
terras gaulesas e que os promotores
da caçada fazem questão de
transportar para solo transmontano.
Uma forma diferente de ver e estar
na caça. Que se saúda.
A organização voltou a apostar
numa mancha inserida na Zona de
Caça Municipal de Vilarinho do
Monte, gerida pela Associação do
Cabeço Negro, com cerca de 350
hectares, e não poupou nos
recursos alimentares. Um trabalho
de casa exemplar, convenhamos,
com o propósito de garantir um
resultado satisfatório. É o tal
exemplo de que a “sorte dá muito
trabalho”…
Chegada a hora da verdade, a
recepção a monteiros, matilheiros
e convidados teve lugar na
Associação do Cabeço Negro, na
aldeia de Vilarinho do Monte, onde
foram confirmadas as inscrições,
servido um farto “mata-bicho”, à boa
moda transmontana, e transmitidos
alguns conselhos, a fim de garantir
a segurança de todos.
Como quase sempre cá para arriba,
a Norte do Douro, entenda-se,
pouca pressa para o arranque da
montaria. E 100 portas – 105 em
rigor – não se colocam num ápice,
levando em conta o terreno dobrado
e as suas acessibilidades. Perante
o exposto, o sinal de início das
hostilidades soou um pouco antes
das 14 horas (!), uma rica hora,
dizemos nós, para arrumar a trocha
e regressar à aldeia. Hábitos e
mentalidades não se mudam do dia
para a noite…
Face ao elevado número de cães
na mancha, as primeiras ladras não
se demoraram a ouvir, assim como
os primeiros tiros. Os sinais da
presença de porcos eram visíveis
por todo o lado. Sensivelmente a
meia da montaria, na encosta mais
fechada, com os matilheiros a
romperem a passo, as ladras eram
constantes e a javalis diferentes, na
nossa leitura, com os tiros a
sucederem-se a bom r i tmo.
Com o sol a perder bri lho e
intensidade, ouviram-se os foguetes
de encerramento da festa monteira.
Passava ligeiramente das 16.30
horas (!), e a luz do dia estava quase
a acabar a sua vigência.
Um porco no espeto, uma tradição
mais beirã do que transmontana,
foi saciando a fome de quem ia
chegando da mancha, à medida
também que o quadro de caça ia
engrossando com a chegada de
reses.
Nesta azáfama, não se demorou a
perceber que o número de abates
tinha sido inferior ao recorde de
2012. Mesmo assim, contratempos
e habilidades à parte, chegaram à
junta de carnes 14 javalis, alguns
de grande porte. O almoço (melhor
dizendo, o jantar!) aconchegou o
estômago e minorou a sensação de
frio. Abundância e um bom serviço.
Sem pressas de regressar a casa,
não tivessem feito uma pausa nas
suas actividades, os organizadores
ainda tiveram tempo de baptizar um
monteiro – primeiro javali cobrado
-, uma tradição com raízes na região
transmontana, partir e distribuir a
carne de caça pelos presentes,
dando prioridade aos monteiros
por tugueses (no caso, não
emigrantes, entenda-se).
Até pró ano, seguramente.
Adriano Palhau
(texto e fotos)
CAÇA MAIOR
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Bruno Teixeira, de Bragança,
teve como quinhão um presunto
Miguel dá indicações aos monteiros