Página 26 - Turcaça 33

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rganizada pela Associação
d e Ca ç a d o r e s d a s
Quelhas, a montaria de
Barrô, Resende, fez jus ao ditado
popular de muita parra e pouca uva!
Como assim? Muitos javalis na
mancha, muitos tiros dados (89!),
mas apenas três fêmeas de javali
na junta de carnes! Culpados?
Monteiros em dia não, outros pouco
lestos na arte de fazer fogo e, enfim,
dia da caça. Poderia ter sido uma
jornada de caça maior de arromba…
Fica para uma próxima.
Num Inverno part icularmente
chuvoso, de Norte a Sul do país, o
dia 23 de Fevereiro despertou com
bom tempo, sol a brilhar, mas com
o mercúrio do termómetro sem
ordens para subir, sinal de que a
Pr imavera estava at rasada.
O número de portas efectivas
chegou às 81 e a organização
contratara quatro matilhas para
“varrer” a mancha a montear, cerca
de 300 hectares. Uma área inserida
na ZC Municipal de Resende
(processo 3209) que a entidade
gestora, precisamente a Associação
de Caçadores das Quelhas, protege
no per íodo gera l da caça,
precisamente com o intuito de ser
monteada no período áureo deste
tipo de caçadas.
Além da ausência de caça, portanto
garantindo sossego aos “bichos”, a
entidade que gere a zona de caça
alimentou a mancha nos meses que
antecederam a montaria. Foram
colocados nos cevadouros mais de
800 qu i l ogramas de mi l ho,
castanhas, nozes e maçãs, o que
fez concentrar muitos javalis na
área, presença, essa, confirmada
pelos sinais inconfundíveis que os
po r c o s de i x am na s s ua s
deambulações diárias.
O mata-bicho foi servido na Escola
Primária de Barrô e a organização
contratou dois cozinheiros para
poder servir a contento monteiros,
acompanhantes, convidados,
mat i lheiros e, enf im, amigos.
Fumeiro, orelheira, presunto e
frango no churrasco foram alguns
dos petiscos servidos na primeira
refeição do dia, a que se juntou, por
úl t imo, uma sopa, a f im de
aconchegar o estômago dos
caçadores e prepará-los para a
tarefa que os trouxe até terras do
Douro.
Armadas prontas a demandar a
mancha, monteiros colocados,
matilhas a postos e à espera do
sinal de início das hostilidades. Cães
no monte, ladras constantes, monte
acima, monte abaixo, e tiros com
fartura, espalhados por toda a
mancha.
Pelas indicações que iam chegando
aos organizadores, muitas varas de
porcos avistadas, de 5/6 bichos e
até de mais, cães em cima dos
“bichos” e tiros numa cadência alta,
fazendo prever um quadro de caça
alargado.
Com o andar do relógio e a evolução
da montaria, a organização foi
tomando consciência que o
resul tado f icar ia aquém das
expectativas, em função dos muitos
tiros falhados, alguns por má
colocação na porta, outros por
mani festa inexper iência dos
monteiros, etc, etc… A caça é isto
mesmo…
No final, foram cobradas três fêmeas
de javali. “Era montaria para se
terem mor to 12/15 javal i s” ,
desabafou um dos organizadores,
lamentando, também, a ausência
de receita face ao produto a leiloar.
Uma das porcas cobradas foi
sorteada entre os presentes, com
o habitual recurso às rifas, e também
várias peças de roupa de caça da
marca Autuno, designadamente
uma parka, um colete, uma camisola
e umas calças, gent i lmente
oferecidas para o efeito pelo grupo
armeiro SHF/Sportrofa. Mais um
momento de animação, de boa
disposição, para ajudar à festa.
Um arroz de marisco sossegou os
espíritos dos 109 (!) comensais e
preparou os monteiros de mais
longe para a viagem de regresso a
casa. Até pró ano. Seguramente,
mas com os olhos lavados…
CAÇA MAIOR
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