Página 26 - Turcaça 34 digital

Versão HTML básica

26
CAÇA MENOR
abe r t u r a às r o l as e
pombos marca o início das
“hos t i l i dades” para o
caçador, o regresso ao campo, à
a c t i v i d a d e v e n a t ó r i a , à s
madrugadas e ao reencontro com
rostos amigos. É o retomar de uma
rotina saudável, que nos faz também
resistir à erosão dos anos e agora
também a uma crise que teima em
não nos largar… E Agosto é um
mês único, mítico, onde os nossos
emigrantes emprestam vida a
lugares cada vez mais tristes, sós,
quase apagados do mapa
português.
Coelhoso, Bragança, tem sido ponto
de partida para as temporadas de
caça, por força, naturalmente, da
l igação à zona de caça local
(Associativa) e a um punhado de
amigos ganhos precisamente em
redor da actividade cinegética.
A abertura às rolas deste ano não
foi tão forte, tão abundante, como
a anterior, mas, mesmo assim, as
rolas apareceram, deram-se uns
tiros, confraternizou-se e, no final,
ficou a sensação de um dia bem
passado. Só para se ter uma ideia
das aves cobradas, refira-se que,
no final do dia, ou seja, no final da
tarde, faltou uma ave na (minha)
trela para ter chegado ao limite (de
rolas, entenda-se). Limite, esse, de
seis rolas, que atingi no domingo
seguinte… Isto só para se ter uma
ideia das aves que, ano após ano,
nos continuam a visitar…
A manhã da abertura foi, apesar de
tudo, razoável no tocante a abates…
Os torcazes ajudam a compor a
caçada. É claro que a fartura de há
20/25 anos já era. Hoje em dia,
abater quatro/cinco rolas tem de ser
considerado um bom resultado,
deixando o caçador satisfeito e
agradado por ter desfrutado do
campo, do voar ziguezagueante da
migradora africana, ter dado uns
tiros e confraternizado. Que mais
se pode pedir?
Mais uma nota agradável, uma
constatação da jornada de abertura:
muitas aves juvenis abatidas, sinal
de uma boa criação entre nós e de
um regresso em força a África. É
pena que no Norte de África os
abates não sejam controlados… É
evidente que a concentração de
aves exige trabalho e dedicação,
mas também é verdade que rolas
e pombos têm as suas crenças,
insistindo em paragens imutáveis.
Um lugar de crença, com pão e
água por perto, será sempre um
posto de eleição. Época após
época.
O apelo do campo
A reunião anual daAssociativa, cada
vez menos participada e onde os
consensos são cada vez mais
difíceis de conseguir, é um convite
para dar um pulo até à aldeia, rever
caras conhecidas e por quem se
nutre estima e consideração, e,
antes do regresso a casa, recordar
peda ç o s de c ampo onde
comungámos felicidade, paz de
esp í r i t o , sa t i s f ação p l ena ,
sentimentos de que os caçadores
se devem vangloriar, pois são cada
vez mais raros…
Finda a reunião e molhada a
garganta, já que Agosto é tórrido
pe l as bandas do nordes t e
transmontano, fomos até ao local
agendado para a abertura, pois
Coelhoso, Bragança – a abertura obrigatória no calor de Agosto
As rolas do nosso encanto