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CONSERVAÇÃO DA NATUREZA
de-colar
Psittacula krameri
pertence
à ordem dos papagaios e araras, e
distribui-se pela África e Ásia. As
r e s t a n t e s s e i s a v e s s ã o
passeriformes, três delas originárias
de África e três da Ásia.
Naturalmente, estas aves procuram
l oca i s onde ex i s ta grande
disponibilidade de alimento e bons
locais de repouso. Assim, podem
ser observadas principalmente em
jardins e parques das grandes
cidades e em zonas húmidas, como
estuários e rias. Por exemplo, o
periquito-de-colar pode ser visto a
sobrevoar as copas das árvores de
Lisboa ou o Parque da Cidade, no
Porto; já os bicos-de-lacre
Estrilda
astrild
, tecelões-de-cabeça-preta
Ploceus melanocephalus
e bispos-
de-coroa-amarela
Euplectes afer
ocorrem em grandes números nos
estuários do Tejo e Sado, na ria de
Aveiro ou nas zonas húmidas do
Algarve.
Segundo Pedro Ramalho, dedicado
observador de aves, é possível que
a viuvinha
Vidua macroura
e o bico-
de-chumbo-malhado
Lonchura
punctulata
venham no futuro a ser
considerados também aves exóticas
estabelecidas, já que as duas
espécies têm pequenas populações
residentes em Portugal e já foram
observados indícios de reprodução
em liberdade por diversas vezes.
Um caso de sucesso: o
bico-de-lacre
Em Portugal, a exótica mais bem
sucedida é o bico-de-lacre. É
originário da África subsaariana e
foi int roduzido em Por tugal
Continental na década de 1960, na
zona da lagoa de Óbidos. É possível
que os indivíduos introduzidos
tenham vindo de vários locais, por
exemplo de vários países africanos
ou mesmo do Brasil ou de Cabo
Verde, onde a ave também já foi
introduzida. O certo é que este
pequeno estrildídeo de 11 a 13
cent ímet ros de compr imento
conseguiu sobreviver e expandir-se
com sucesso, ocupando atualmente
quase todas as zonas com habitat
adequado no território continental.
Após a sua introdução, utilizava
principalmente zonas húmidas e
áreas adjacentes, mas hoje em dia
encontra-se também em terrenos
agrícolas irrigados. É muito mais
comum no litoral do país, onde estes
habitats são mais comuns, que no
interior. Recentemente foi também
introduzido na Madeira e Açores.
O bico-de-lacre alimenta-se de
sementes de pequenas gramíneas,
que consegue “descascar” com o
seu pequeno bico. Em África, a sua
reprodução está ligada à época das
Bispo-de-coroa-amarela
Euplectes afer
, macho com plumagem estival © Faísca