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CONSERVAÇÃO DA NATUREZA
Depois de devidamente licenciados
(i.e. autorizados de acordo com a
legislação nacional e comunitária)
pelas autoridades competentes
(ICNF mediante parecer da DGAV),
os campos de alimentação entram
em funcionamento, passando a ser
regularmente e alternadamente
fornecidos sob a supervisão do
veterinário do projecto. A sua
implementação é feita em total
articulação com os sistemas oficiais
de recolha e el iminação de
subprodutos animais (SIRCA) e em
colaboração com as zonas de caça
e/ou propriedades públ icas e
privadas, t irando part ido das
carcaças e subprodutos da
act ividade cinegét ica e das
e x p l o r a ç õe s pe c uá r i a s . A
colaboração dos produtores
pecuá r i os e dos ges t o r es
cinegéticos está assim na base do
funcionamento dos campos de
alimentação. Consoante os casos
e sempre que um animal da
exploração morre ou são caçados
ungulados silvestres na zona de
caça, o veterinário do projecto faz
uma avaliação prévia dos cadáveres
e da necessidade de fornecimento
do campo de alimentação em
causa, determinando se os mesmos
deverão ou não ser depositados no
campo de alimentação. Privilegia-
se a colocação de carcaças
divididas em partes (membros,
vísceras, cabeças, etc.), mais
atractivas ao abutre-preto, e de
modo a minimizar a competição
com o mais abundante gri fo.
Vantagens para o
produtor pecuário ou
gestor cinegético
Ao fazer parte da rede de campos
de alimentação para abutre-preto,
enquanto possuidores de um destes
campos ou fornecedores do campo
comunitário existente, os produtores
pecuários e os gestores cinegéticos
dão um importante contributo para
a conservação a nível regional desta
espécie ameaçada, sem qualquer
prejuízo às actividades económicas
rurais desenvolvidas nas suas
explorações e/ou zonas de caça. A
ex i s t ênc i a dos campos de
al imentação não impl ica um
aumento de trabalho, custos ou
burocracia para as pessoas e
entidades envolvidas, tendo em
c o n t a o s p r o c e d i me n t o s
implementados pelo projecto e a
total articulação com os sistemas
oficiais de recolha e eliminação de
subprodutos animais, permitindo
simplesmente o consumo das
carcaças pelos abutres (e em seu
benefício), de modo legal, seguro
e da mesma forma como sempre
ocorreu na natureza, algo que,
inegavelmente, representa também
um serviço útil prestado por estas
aves em prol da gestão das
explorações e zonas de caça. Por
outro lado, alguns agentes locais
em cujas propriedades foram
construídos campos de alimentação,
vi ram nestas estruturas uma
opor tun i dade para exp l orar
economicamente outro sector, o do
turismo de observação de aves.
Todos os anos milhares de turistas
visitam o nosso país para realizar
birdwatching
, e a presença de um
campo de alimentação para aves
necrófagas aumenta as hipóteses
de observação de algumas das
nossas maiores, mais belas, raras
e ameaçadas aves de rapina, como
o abutre-preto, ou até a águia-real
e a águia-imperial-ibérica, espécies
que também exibem hábi tos
necrófagos.
Resultados já
alcançados
Embora a funcionar apenas
parcialmente e somente há alguns
meses, a rede de campos de
alimentação está já a ser utilizada
pelo abutre-preto. De facto, foi já
confirmada a presença de abutres-
pretos e grifos a alimentarem-se,
tendo-se registado o rápido
consumo das carcaças logo que as
aves conseguem detectar a sua
presença e ultrapassar o natural
receio em pousar no interior dos
campos de alimentação.
E depois do projecto?
A LPN – Liga para a Protecção da
Natureza, enquanto coordenadora