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escusam-se em tomar estas ou
outras medidas justificando-se na
falta de dados plausíveis existentes.
Ora, lembre-se que a
primeira
Tarefa do Estado para a
prossecução dos princípios da
política cinegética nacional é a
de “zelar pela conservação dos
recursos cinegéticos e incentivar
a sua gestão sustentada”
;
· o aumento de pedidos e petições
promovidas por ambientalistas e
caçadores para uma moratória à
rola-brava em Portugal como forma
de travar o declínio acentuado da
espécie sentido não só pelos
caçadores que caçam a rola-brava
como também por todos os outros
que andam pelos campos em busca
de ou t r as mi g r ado r as ou
sedentárias são importantes sinais
de alerta;
· a ainda presença de cartuchos
com chumbo na caça às aquáticas
em zonas húmidas, com os
conhecidos impactos para a saúde
pública, contrariando assim as
recomendações definidas por um
grupo de trabalho que reuniu todos
os sectores desta act ividade
(Estado, caçadores, ambientalistas
e investigadores);
· a banalização das acções de
r epo v oamen t o e r e f o r ç o s
cinegét icos com l iber tações
sistemát icas de exemplares
produzidos em cativeiro como
medida, na verdade, de garantir a
presença de efectivos caçáveis
quando da abertura das zonas de
caça;
· o crescente aumento do furtivismo,
também um sinal dos tempos que
vivemos, e que tem de entrar na
equação final;
· a prorrogação por três anos dos
mesmos limites de abate e períodos
de caça às espécies cinegéticas
no terreno cinegético ordenado e
não ordenado (“terreno livre”) sem
qualquer aval iação anual dos
efectivos ao nível nacional e
regional, quando até 2011 se
publicava anualmente o calendário
venatório nacional;
· e, para terminar, veja-se como está
a legislação cinegética em vigor -
uma perfeita manta de retalhos com
quase 15 anos, mal remendada, e
totalmente desadequada à actual
realidade da caça.
Caros leitores, desenganem-se
aqueles que pensam que a solução
para se voltar a ver caça silvestre
nos nossos campos é a de, apenas,
publicar (apressadamente) uma
nova legislação da caça.
É sobre
a sustentabilidade e a caça
sustentável que a LPN, a mais
antiga organização de ambiente
ibérica, tem vindo a falar desde
2007
. Esta quebra acentuada dos
efectivos cinegéticos e do número
de caçadores activos tem de
desencadear medidas positivas e
contrárias à depleção que se
verifica. É agora o momento de
arrepiar caminho, visto que o que
está a ser trilhado conduz a Caça
portuguesa para a ruína. Não
apenas pelo presente mas também
pelo importante passado histórico
da Caça em Portugal, esta merece
ser cuidadosamente analisada,
discutida e apoiada sempre com os
olhos postos no futuro, nas
gerações futuras – espécies,
caçadores e nos habitats que as
suportam!
Mas
o início de um novo ano
permite-nos o ensejo de avaliar
o que foi realizado no ano que
passou e ter esperança sobre o
futuro próximo
– mas atenção, o
amanhã está já ali e há que começar
a pensar em mudar atitudes,
mental idades, af i rmações e
deliberações.
Será 2014 o ano da mudança da
Caça em Portugal ou vamos
continuar a ver e ter mais do
mesmo?
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CONSERVAÇÃO DA NATUREZA
Pela Liga para a Protecção da Natureza
Ana Maria Costa
(coordenadora do GTCinegética da LPN)