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CAÇA MENOR
coelho-bravo, espécie de
caça emb l emá t i ca na
Península Ibérica e a base
de sustentação do ecossistema
mediterrânico, volta a viver uma
situação dramática. Com efeito, a
n o v a e s t i r p e d a Do e n ç a
Hemorrágica Viral (DHV) dizima
adultos e jovens (estes eram
poupados pela anterior estirpe), o
que dificulta a recuperação das
populações, também por se
constatar que a imunização
adquirida pelos coelho adultos face
à estirpe tradicional (transmitida aos
jovens nos anticorpos maternais,
tornando-os resistentes à mesma)
revela-se pouco eficaz face à nova
estirpe.
Esta é a mais letal e virulenta
variante da DHV, segundo Pedro
Esteves, professor universitário do
Porto e um dos investigadores no
terreno, por se ter descoberto que
o vírus recombina com várias
estirpes, o que torna difícil aos
coelhos criarem defesas.
A recolha dos animais mortos é vital
para a investigação em curso, para
o desenvolvimento de uma vacina
e se tentar perceber como é que
estas estirpes virais estão a evoluir
e a população de coelho-bravo se
está a adaptar.
Limitar o impacto
A prevenção apenas pode ser feita
por via da vacina e controlo de
insectos e objectos contaminados.
No entanto, a tradicional vacina da
Vírica Hemorrágica é ineficaz e a
publicitação de vacinas ministradas
na comida não passa de publicidade
enganosa. É bom não esquecer que
a v a c i n a ç ã o d e g r a n d e s
quantitativos de coelhos selvagens
é impraticável.
De momento, a atenuação do
impacto desta epidemia passa
essencialmente pela limitação
voluntária da caça ao coelho, até
que a população estabi l ize.
Coelho-bravo A nova estirpe da Hemorrágica Viral (DHV)
Mais as dúvidas do que as certezas
Desaconselhado vacinar, trasladar e repovoar