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CAÇA MENOR
ve de Outono que toma a
sua cor, de folhas secas com
r i b e t e s n e g r o s e
avermelhados, a galinhola é uma
ave migratória que aparece nos
nossos campos nos finais de
Outubro procedente do Norte da
Europa e de algumas zonas da Ásia.
Misteriosa e nocturna, o seu voo
irregular e algo brusco aumenta a
dificuldade da sua caça e com ela
a sua cobiçada captura.
Apesar da sua escassa presença
em Portugal, ou devido a isso
mesmo, a galinhola é uma ave
migratória muito apreciada entre os
caçadores. A galinhola é de todas
as aves migratórias que, a cada
ano, nos visitam procedentes da
Europa, em geral, e dos Países
Bálticos, em particular, a de maior
ilusão para alguns caçadores que
a ela dedicam quase toda a sua
actividade cinegética. A galinhola é
da cor do Outono, da terra vermelha
e do cinzento escuro das sombras
dos bosques. Toma uma cor escura
em listras finas e transversais, com
orlas negras e avermelhadas na
parte posterior da cabeça. A sua
principal característica é o seu bico
grosso, largo e forte, como fortes e
grandes são as suas asas, mais
escuras na parte superior com tons
claros na parte inferior. Permanece
na Europa quando os alimentos
estão no seu máximo esplendor.
Depois, quando chegam os grandes
frios e a alimentação se encontra
mais difícil empreende as suas
milenares rotas migratórias em
direcção ao sul, local onde passa o
Inverno até que voltem as condições
climatéricas apropriadas. Aparece
aos caçadores na segunda e
terceira semana de Novembro e na
primeira de Dezembro, fugindo dos
países do Norte da Europa. Durante
cerca de t rês/quat ro meses,
permanece nos nossos campos,
coinc idindo com temporada
cinegética invernal, até à época do
seu regresso que efectuará entre a
segunda semana de Fevereiro e a
primeira de Março. A galinhola é
inimiga das terras geladas, o que
lhe impede de perfurar as lamas e
terras para a sua alimentação. Em
anos em que os Invernos são mais
quentes no Norte da Europa, a
migração para o nosso país é
sempre menor, se bem que se
podem sempre encontrar alguns
exemplares em todas as zonas de
Portugal. Esta ave gosta de terrenos
húmidos com pastos frescos e com
arvoredo espesso e a sua
a l imen t ação base i a - se em
minhocas, mas também ingere
insectos, moluscos e diversos grãos
de fragmentos vegetais.
A SUA CAÇA
A galinhola é uma ave muito difícil
de caçar. Gosta de tranquilidade
nos bosques espessos e com um
rico solo húmido. Alimenta-se ao
amanhecer ou ao pôr-do-sol ,
permanecendo com muito pouca
mobilidade o resto do dia. Essa
imobilidade, a par de um perfeito
mimetismo com o habitat predilecto,
confunde-a muitas vezes com o
terreno e como tal é imprescindível
o uso do cão para a encontrar e
levantar do seu esconderijo. Tem
um voo muito veloz e irregular,
bastante característico, chamando
a atenção para a sua f igura
atarracada, as suas asas redondas,
bico apontado para o solo e pelo
seu voo curto. É uma ave que sente
muito protegida nos bosques e
matagais intensos, sendo muito raro
vê-la em campo aberto. Uma vez
ferida não foge a pés como a perdiz
ou outras aves, mas procura
protecção no mesmo lugar onde foi
derrubada. Os apaixonados e
especialistas consideram a sua caça
como uma das mais duras que
existem. Os protagonistas são os
caçadores, muito embora os que
realmente as caçam sejam os cães.
Não há dúvida que o fiel amigo bem
treinado é o que realiza melhores
jornadas de caça. Esta caracteriza-
se fundamentalmente pela calma e
desfrute da qualidade e gosto pelo
trabalho do cão e a constatação dos
seus conhecimentos no terreno.
Todo o caçador sabe que nesta
questão dos cães não existem
milagres. A raça não garante em
nada a caça e muito menos na hora
de caçar galinholas, tanto de forma
cont i nuada como de forma
esporádica.
O CÃO IDEAL
Tradicionalmente, os “setters” e
“pointers” terão sido os dedicados
à galinhola. Nos últimos tempos, o
epagneul bretao e o drahthaar
também têm dado boas mostras.
Mas, no final, o melhor cão é aquele
que tem um dono paciente e com
conhecimento do terreno e da
galinhola. O importante é poder
educar o seu cão e conhecer as
suas atitudes e faculdades para a
busca e cobro, fazendo dele
companhei ro ideal nas suas
jornadas de caça.
JOSÉ FLORINDO
Galinhola
Uma caça difícil