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ENTREVISTA A ...
TURCAÇA - A caça maior em
Portugal goza de boa saúde e
recomenda-se! É da mesma
opinião?
ATP - Sim, o panorama é favorável.
Poderia, todavia, ser melhor ainda
se houvesse menos empirismo na
sua gestão, se leis e regulamentos
fossem mais realistas, se caçadores
e associações representativas
f o s s em ma i s a t e n t o s e
responsáveis, e se houvesse maior
atenção por parte do Poder político
ao seu enorme e desaproveitado
potencial turístico, económico e
financeiro.
P -Face ao decréscimo de caça
menor, a pressão sobre o javali,
ao longo de todo o ano, seja em
montaria ou em espera, não será
demasiada?
R- Não podemos hoje, em bom
rigor, responder a esta interrogação,
porque não existe em todo o
território nacional uma gestão
c i negé t i c a c i en t i f i c amen t e
fundamentada e sustentada das
respectivas populações que o
permita.
P- Ainda há “bichos” medalháveis
ou a pressão de caça não os
deixa crescer?...
R - Ainda os há, mas poderiam ser
muitos mais se se gerissem as
respectivas populações de forma a
privilegiar o troféu em detrimento
dos actuais abates indiscriminados.
Por outras palavras, buscando a
qualidade e não a quantidade.
P - Em sua opinião e na do CP de
Monteiros, os planos globais de
gestão são bem-vindos? A sua
aplicação será fácil e exequível?
R - Claro que sim. Mas antes talvez
seja importante percebermos se o
actual regime das Zonas de Caça
Turísticas, Associativas e Municipais
continua a ser o mais adequado nos
A Turcaça entrevistou o presidente do Clube Português de Monteiros,
Artur Torres Pereira, figura conhecida e prestigiada no meio cinegético,
tendo-lhe colocado algumas questões prementes e actuais com que
se debate o sector da caça em Portugal. Com a frontalidade que o
caracteriza, Torres Pereira não poupou nas palavras e vincou que o
futuro da caça está nas mãos dos caçadores, considerando, contudo,
que a legislação está desactualizada e desfasada da realidade.
Presidente do Clube Português de Monteiros
duro nas críticas