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ENTREVISTA A ...
P - Menos caça e menos
caçadores – que futuro?
R - O que os caçadores quiserem
– organizações ditas representativas
não faltam…
P - O problema da doença (DHV
– doença hemorrágica viral) no
coelho bravo é problema
gravíssimo – para a caça e para
o próprio ecossistema… Como
sair deste beco… sem saída?
R - Gestão adequada, contactos
interprof issionais nacionais e
i n t e r nac i ona i s , a t enção e
i n t e r v e n ç ã o p e r ma n e n t e s
articuladas no terreno por parte dos
caçadores e das autoridades
sanitárias e da Conservação da
Natureza.
P- Proibir a caça ao coelho?
Haverá coragem? Mas,
seguramente, um pelotão de
caçadores ainda mais reduzido…
R - Será fácil proibir a caça ao
coelho. Mas quem pode garantir
com segurança que é esse o
caminho, e não, por exemplo, o do
cont rolo epidemiológico das
populações? Que base científica
real tem hoje em Portugal a
abordagem de questões como esta
por parte dos caçadores e das
autoridades sanitárias?
P - Menos caçadores – porquê?
Mais épocas de exame e menos
exigência? Legislação mais
simples para caçadores e zonas
de caça?
R- Urbanização crescente do nosso
território e da nossa população,
politização negativa e hostil em
relação à Caça, Mundo rural
dese r t i f i cado , dependênc i a
excessiva dos jovens em relação
às novas tecnologias, menos
d i n h e i r o d i s p o n í v e l –
independentemente de mais ou
menos épocas de exame, de mais
ou menos exigência, de mais ou
menos s imp l es l eg i s l ação .
P - E o que me diz da ausência
da Tutela(…)? Sem ouvidos e
sem receptividade para as
organizações
do sector da caça…
O que fazer?
R - Faz gritante e manifestamente
falta o Conselho Nacional da Caça
– na versão original, não na última
versão adulterada e deformada. E
faz também muita falta uma visão
es t r a t ég i ca po r pa r t e das
organizações do Sector da Caça,
que apenas têm demonstrado
p r e o c u p a ç õ e s t á c t i c a s ,
normalmente em proveito próprio…
P - A Tutela continua a arrecadar
as receitas geradas pelos
caçadores e pelo sector da caça,
mas não investe nada em
benefício do nosso “hobby” e do
sector, importantíssimo na
valorização do mundo rural e no
ordenamento do território,
contribuindo para a fixação da
população em zonas
abandonadas e desertificadas.
Como inverter este estado de
coisas?
R - A Caça e os caçadores não
podem nem devem ser Calimeros
crónicos.
Há muita gente em Portugal, em
mu i t os Sec t ores da nossa
economia, que entende desde há
muitos anos que a solução para os
nossos males virá do Estado - não
veio até hoje, e não virá jamais.
Este tem sido o alibi para muitas
incapacidades por parte de quem
não entende que não compete ao
Estado – que somos todos nós –
intervir no Sector da Caça a título
de prestador ou de financiador, nem
de intervi r mui to para lá da
respectiva Regulação.
ADRIANO PALHAU