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CAÇA MAIOR
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caça! A tarefa é hercú l ea,
convenhamos, mas não tira o sono
a Raul Fernandes, presidente da
ZC Associativa de Grijó/Vilar do
Monte e o grande obrei ro e
entusiasta do cercado de corços, a
marcar pontos no meio científico e
que acabará por potenciar a caça
a este pequeno cervídeo no
Nordeste Transmontano, de forma
equilibrada e sustentada.
Desta vez, e apesar dos animais
ficarem em stress após a captura,
ainda que sejam manipulados com
todo o cuidado e carinho e lhes seja
tapado o focinho, com o propósito
de os tranquilizar, foi possível
recolher sangue nos dois corços
capturados, o que permitirá fazer
análises e ter uma ideia do estado
sanitário da população do cercado.
Trabalho de casa
Com base na primeira experiência
do género no cercado, desta vez
houve trabalho de casa e Raul
Fernandes e a sua equipa
cumpriram-no à risca e de forma
rigorosa. A extensão de rede para
captura dos “bichos” quase duplicou
– em vez de 500 metros, foram
es tend i dos 950, quase um
quilómetro! À rede junta-se ainda,
e sempre, a manga de captura,
também alvo de vigia por parte de
quem colabora, ou seja, corço no
seu interior, alçapão fechado! A rede,
essa, foi, pois, estendida na véspera
da acção de campo e de acordo
com a estratégia planeada por Raul
Fernandes e a professora Aurora
Monzon, bióloga e docente na
UTAD, de acordo com as quatro
batidas programadas em função do
espaço também ter sido subdividido,
para potenciar os resultados de
captura por “investida” ao monte.
Em termos de mão-de-obra, refira-
se que os recursos humanos foram
inflacionados, desta feita. O grupo
rondou as 50 pessoas. À equipa de
Raul Fernandes, juntaram-se os
docentes Aurora Monzon, Vítor
Pinheiro (de engenharia zootécnica),
José Manuel Almeida e Carlos
Venâncio (ambos de medicina
veterinária), todos da UTAD, com
uma legião de estudantes dos
cursos de engenharia zootécnica,
de engenharia florestal e ainda de
medicina veterinária. Após o almoço,
e duas batidas infrutíferas em
termos de capturas, o professor
Paulo Cortez, do IPB, trouxe
reforços – um punhado de alunos
do curso de Engenhar ia do
Ambiente.
Ass im, e com o es tômago
reconfortado por um churrasco feito
em pleno campo, já com a tarde
muito entrada, atacaram-se as duas
últimas manchas previstas, com
vigor e gente com força posicionada
à beira da rede e o sucesso sorriu
no “levantar da feira”, quando se
temia um dia de mãos a abanar.
Com efeito, a derradeira batida
conduziu um par de corços à rede
de captura e o feito foi, obviamente,
motivo de satisfação para todos.
Dois “bichos” para “brincar”, “chipar”,
pesar e recolher amostra sanguínea
em simul tâneo, com o dia a
despedir-se, mas que em nada
atrapalhou o trabalho a realizar e
deixou a equipa com um sorriso nos
lábios.
Aqui, como em pleno acto venatório,
prevaleceu a sabedoria popular:
quem porfia mata caça!
Cercado ganhou mão-
de-obra
Graças ao trabalho que vem sendo
desenvolvido pela direcção da ZC
Associativa de Grijó/Vilar do Monte
no cercado de corços, a zona de
caça, ou melhor, o cercado de
corços foi contemplado com dinheiro
de fundos europeus, após uma
candidatura a mão-de-obra.
Com efeito, o cercado de corços de
Grijó/Vilar do Monte vai ter, em
breve, uma equipa (sete elementos)
de trabalho disponível, por o período
de um ano, para desmatar, limpar,
abrir caminhos, entre outras tarefas,
os 35 hectares de habitat natural
vedados para a cr iação de
cervídeos.
Enfim, também aqui, nesta como
noutras áreas, o trabalho dá frutos.
A sorte, essa, dá muito trabalho,
não é ve r dade ca r o Rau l
Fernandes?
A.P.
Vitor Pinheiro e Raúl Fernandes