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FEIRAS / EVENTOS
om o propósito de debater
o actual estado de coisas
na caça – “o estado da
nação”, para os caçadores, se
preferirem -, a Federação das
Associações de Caçadores da 1ª
Região Cinegét ica (FACIRC)
promoveu o I Encont ro de
Caçadores de Trás-os-Montes e Alto
Douro, por ocasião da XVIII edição
da Feira da Caça de Macedo de
Cavaleiros, que decorreu de 30 de
Janeiro a 2 de Fevereiro últimos.
Fazendo precisamente 20 anos –
daí a XX Festa dos Caçadores do
Norte – que nasceu ali, em Macedo
de Cavaleiros, a consciência dos
caçadores nor tenhos para o
associativismo na área da caça e a
imperiosa necessidade de ordenar
o território da região transmontana,
outrora um manancial de caça
menor e maior, a federação
macedense avançou com a iniciativa
do I Encontro de Caçadores de Trás-
o s -Mon t e s e A l t o Dou r o ,
subordinado a uma tema pertinente:
“Caça e caçadores, que futuro?”.
Moderado por Castanheira Pinto,
presidente da federação promotora
e anfitriã da reflexão, o debate pôs
a nu os problemas actuais com que
se debate o sector – menos caça;
menos caçadores; legislação pouco
favorável ao sector e aos caçadores;
e, para agravar o panorama, se já
não bastasse, ausência total da
Tutela – Estado, entenda-se.
Um futuro cinzento, convenhamos,
sem espaço para optimismo. Um
dos problemas actuais da caça
menor é a doença (DHV – doença
hemorrágica viral) que afecta o
coelho bravo, não parecendo haver
intervenção milagrosa. Disso deu
conta à plateia macedense o
professor universi tár io Pedro
Esteves (Universidade do Porto),
reforçando a ideia de que terá de
ser o próprio coelho e a natureza a
reequilibrarem a balança, pois a
reintrodução e repovoamentos só
aumentará o problema, neste
momento deveras bicudo e sem
solução no horizonte.
Ficou a sensação de que seria bem
acolhida, pelo menos no meio
científico, a proibição da caça ao
coelho nas próximas duas/três
épocas. Haverá coragem para isso,
por parte das federações e da
Tutela? O problema é que, sem
caça ao coelho bravo, o pelotão de
caçadores terá tendência a
emagrecer bem mais…
Aliás, Rogério Rodrigues, do INCF
de Vila Real, apresentou, por sua
vez, números claros no tocante ao
decréscimo de caçadores e de
licenças anuais, com o argumento
de que a caça já não exerce o
mesmo encanto sobre as gerações
mais novas, face a outras ofertas e
a realidades de vida completamente
diferentes de há 30/40 anos.
Ao argumento do envelhecimento
da “ população caçadora”, outros
oradores trouxeram reivindicações
para o debate – a necessidade de
haver, ao longo do ano, várias
épocas de exames para a obtenção
da carta de caçador, como acontece
em muitas províncias de Espanha,
e uma exigência menor ao nível da
prova a que são sujei tos os
candidatos, por exemplo.
Álvaro Moreira e Raul Fernandes,
entre outros, identificaram alguns
problemas em redor da caça maior
e da urgência em avançar em força
com a caça ao corço – só pelo
método de aproximação – na região
Norte, perante a abundância de
exemplares e sabendo-se que
mui tos “bichos” são abat idos
ilegalmente, sobretudo no período
da “geral”.
Com a Tutela completamente
ausente e sem disponibilidade para
ouvir e debater com as entidades
do sector os problemas actuais e
prementes, o presidente da
Confederação Nac ional dos
Caçadores Portugueses (CNCP),
Álvaro Amaro, prometeu novidades
para breve.
Serão boas? Aguardemos, enfim,
pelo que aí vem, mas não se augura
nada de bom.
A.P.