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ENTREVISTA A ...
solução ou a questão é mais
profunda?
R – Tudo o que for feito para ajudar
a recuperar o número de caçadores
será óptimo, quer os exames, quer
a formação ao nível do primeiro e
segundo ciclo, das escolas, levando
os jovens a perceber a natureza e
a gostar dela.
P – Que outras questões, crê,
relevantes?
R – Ent re out ras questões
importantes, creio que não vai
demorar muito tempo que as
pessoas não comecem a inverter o
sentido que levaram no último
século: isto é, começarem a voltar
do litoral para o interior e das
grandes cidades para as vilas e
aldeias.
Caça maior
P – Em contraciclo, se assim se
pode equacionar a questão, a caça
maior parece gozar de boa saúde
e até se recomenda, passe a
expressão. É da mesma opinião?
R – A caça maior já hoje, numa
grande parte do país, é a alternativa
à caça menor, e a sua tendência é
aumentar, sem porém não nos
deixar de preocupar as doenças
que já se fazem notar na zona
raiana e as suas incompatibilidades
com a agricultura.
P – Sem caça menor, sobretudo a
Norte do Douro (Trás-os-Montes) e
em toda a região Norte (1ª região
cinegética), em geral, a pressão
sobre o javali, qual inimigo número
um, não será demas i ada?
R – Penso que não. O javali a norte
do Douro tem muita defesa, as
manchas são muito grandes e
densas.
P – E como vão ao ZC Nacionais?
R – Mal, como era de esperar. Não
foge à regra de que o Estado, na
maior parte dos casos, é um mau
gestor.
P – E a caça ao corço, para
quando? O Nordeste transmontano
está repleto de exemplares, muitos
abatidos ilegalmente no período da
caça geral… Não seria preferível
a v an ç a r c om a c a ç a de
aproximação em larga escala, ou
seja, abrir a caça a esta espécie em
várias zonas de caça, municipais e
turísticas, e até na ZC Nacional da
Lombada, em Bragança?
R – Sim, nós defendemos a abertura
da caça ao corço por aproximação,
em todas as zonas de caça em que
a população o justifique, valorizando
a espécie e um controlo mais
apertado do furtivismo. Em todo
este processo, a Associação
Nacional do Corço deve ter uma
palavra a dizer.
ADRIANO PALHAU