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CONSERVAÇÃO DA NATUREZA
permitem a redução do risco de incêndio e a proliferação
da caça menor.
Mas esta situação será muito difícil de manter, com a
redução da chuva em especial de Primavera, com o
aumento da temperatura e a existência cada vez mais
frequente de períodos de seca grave e mesmo extrema,
em especial quando os solos estão degradados.
Esta situação é mais grave, não só porque cada vez
há menos azinheiras que forneçam a bolota doce, boa
para comer (que acompanha a carne assada como a
castanha, que permitia em épocas de crise fazer pão
de bolota, etc.) mas que é extremamente importante
para o aumento da capacidade de suporte do
ecossistema (aumento dos animais domésticos –
ovelhas, porcos de montado, etc.) como para a
manutenção da produção das espécies cinegéticas.
A redução das chamadas azinheiras doces resulta da
escolha preferencial dos porcos, das ovelhas, dos
javalis, dos pombos-torcazes, dos gaios, pelos frutos
mais doces, reduzindo assim de forma sistemática o
número de azinheiras doces existentes.
Por outro lado, o desaparecimento das jovens plantas
corresponderá ao consumo das jovens plantas pelos
cervídeos, porque a palatibilidade e apetência das
diferentes plantas jovens deve depender (tal como o
consumo das bolotas!!!) de se tratar de plantas mais
ou menos amargas (com mais ou menos tanino).
Este facto diminui a capacidade de carga do
ecossistema, incluindo as espécies cinegéticas, uma
vez que a maior riqueza em tanino dos frutos amargos
bloqueia os fermentos gástricos, reduzindo a absorção
das proteínas, e dificulta a proliferação da flora da
pança, nos ruminantes, reduzindo drasticamente a
eficiência alimentar, e portanto o crescimento dos
an ima i s que se a l imentem desses f rutos .
Apenas a parte energética não é seriamente afectada,
havendo portanto crescimentos muito mais lentos e
apenas se consegue durante o período de alimentação
à base de bolotas o aumento da gordura.
A multiplicação de azinheiras seleccionadas (Fig 3 (a)
e (b)) é portanto uma das formas de evitar este declínio,
quando acompanhada de formas de retenção de água,
como vala e cômoro de nível, que retenham a água e
permita a recarga dos aquíferos fissurais e ainda com
a construção de charcas de infiltração em vales
secundários (Fig. 3 (c)).
A recarga dos aquíferos permite à vegetação a resistência aos períodos de maior seca, em especial no caso da
azinheira (Ver Soares David). Estes sistemas, em especial quando acompanhado do uso de pastagens biodiversas
(Fig 4) quer nas zonas de pastos permanentes, quer nas zonas abertas para resistência aos fogos, aumentam
a resiliência, a capacidade de suporte dos ecossistemas em mosaico.
O conjunto de montado, pastagens e sistemas de retenção de água e de recarga de aquíferos permite aumentar
a capacidade de carga cinegética de uma forma sinérgica.
Bibliografia a consultar:
Almeida, J. A. A. 1986. Influência dos taninos de
Quercus ilex
L. e
Quercus suber
L. sobre
a fermentação recticulo-ruminal e a digestão enzimática das proteínas. Tese de Doutoramento
na Universidade de Évora.
Crespo, D. G.; Barradas, A. M. C.; Santos, P. V. & Carneiri, J.P.G. 2004. Sustainable
improvement of Mediterranean pastures. Proceedings of the 19 th General Meeting of the
European Grassland Federation. Luzern, Switzerland: 21-25.
Crespo, D. G. 2009. Biodiversidade e Produtividade nasv pastagens e forragens Mediterrâneas,
estratégias e limitações. Pastagens e Forragens 29/30: 15 - 26.
Sequeira, E. M. 2008. Pasture and fodder cropd as parto f High Natural Value farm Systems
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Méditerranéens 79- Sustainable Mediterranean Grassalands and their Multi-Functions.
CIHEAM : 17-22