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AO REMATE
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stamos no início de nova
época cinegética com as
esperas e as aproximações
no seu melhor. O tempo convida e
os animais vão-se mostrando.
As leis é que não.
Continuamos a caçar como se nada
se tivesse passado mas os alvos
vão rareando.
Lamento chamar-lhes alvos mas é
o que são.
Infelizmente cada vez mais temos
“matadores” e não caçadores, nos
nossos montes e prados.
Quem vai caçar fora da Europa vê
o respeito que há por espécies muito
abundantes, mas que se querem
manter abundantes.
Vou dar exemplos: em Marrocos,
no Atlas, só se caça ao javali com
caçadeira e cartucho de bala; isto
permite tiros mais assertivos e
menos animais feridos que vão cair
sabe-se lá onde e nunca se
encontram. Paga-se por cada peça
abatida e as fêmeas exemplares de
pequeno porte penalizam a bolsa
dos incautos. É de salientar que as
enxotas são feitas por quarenta ou
mais batedores, acompanhados por
três ou quatro cães; assim, os
animais, saem vagarosos e é
possível identificar se são fêmeas
ou machos e se trazem infantes no
séquito.
No Sahel (Senegal) pode-se caçar
excepcionalmente bem, com
caçadeira, a espécies cinegéticas
de arribação e aquáticas; também
se pode atirar a facocheros, pelo
sistema de batida ou esperas mas,
também aí, com caçadeiras e
cartuchos de bala. É evidente que
se deve evitar as fêmeas com crias...
Como somos mui to espertos
continuamos a atirar a tudo que
mexe e, em breve, estaremos no
estado em que a Itália ficou há uns
anos atrás, com ZERO de caça.
França, com os seus coutos
fechados, bem como a Bélgica,
conseguem ter grande quantidade
e qualidade de efectivos. Mas por
quanto tempo a consanguinidade
permitirá a qualidade?
Em Espanha, em algumas regiões,
ainda se luta pela pura conservação
das espécies; mas há quem queira
eliminar os castores do Ebro que
aparecem em zonas de choupos e
bétulas, junto aos rios; então serão
também para destruir os gamos,
muflões e carneiros do Atlas? Não
serão, estes também, espécies
exóticas a abater? E as cabras das
Baleares?
No nosso País NADA se continua
a fazer sobre a manutenção da caça
que poderia ser produtiva e de que
maneira.
Basta ver o rendimento que os
nossos Vizinhos peninsulares
usufruem e aval iar, também,
quantos caçadores morrem ou são
gravemente feridos nas suas
realizações cinegéticas, quer de
caça maior ou menor; mais um
exemplo de que uma gestão, seja
do que for, necessita ser feita,
rigorosamente, e por quem sabe.
Temos tudo para produzir, mas
continuamos a dar atenção a
pormenores de pouca valia para
que um pequeno grupo vá
ganhando e destruindo o que de
melhor temos: a CAÇASELVAGEM.