Página 15 - Turcaça 38 digital

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generosa do que o habitual. Que
fazer? Aceitar a realidade, pura e
simplesmente.
Eis o dia!
A contagem decrescente já
começara. A Beretta Sporting, de
canos sobrepostos, estava a postos,
com os choques apropriados ao
cenário previsto e conhecido, os
cartuchos seleccionados arrumados
no bornal e outas caixas na mala
do jipe, prevendo-se sabe-se lá o
quê ( ! ) , mas garant i ndo a
t ranqui l idade do caçador e
sossegando a alma, pelo que só
faltava soar a hora. Tempo, porém,
de festas por Bragança. A
obrigatória visita à Feira Medieval
da cidade, na zona do Castelo e
entre muralhas, foi cumprida na
sexta-feira, para que a noite de
sábado fosse obrigatoriamente mais
tranquila e, sobretudo, mais curta.
É sempre bom dormir quatro/cinco
horas antes de l evantar o
“esqueleto” da cama. A adrenalina
não afectou o descanso.
O despertar soou antes das 05.00h!
Tomei um duche, vesti roupa fresca
e, como sempre, saboreei um café
negro como as trevas, que dá nova
vida ao corpo e à alma! Sozinho (o
tal problema do ordenamento…),
meti a tralha no jipe e rumei a
Coelhoso. Uma viagem curta e
cumpr ida sem sobressal tos.
Cheguei ao local previamente
escolhido ainda de noite, quase em
simultâneo com dois caçadores da
zona vizinha de Parada.
Tempo de sobra para nos
instalarmos no posto escolhido, no
meu caso numa extremidade de um
lameiro, por sinal extrema da zona
de caça, e desfrutar do amanhecer
no campo, um dos privilégios do
caçador.
Sabia de antemão que as rolas
entrariam de frente, ou seja,
oriundas da zona de Parada, pelo
que os dois companheiros de lides
iriam fazer fogo primeiro. É uma
zona de passagem conhecida e que
as rolas gostam de frequentar,
sobretudo quando o Sol ganha
altura e espalha calor.
Mais ao longe, ouviam-se os
primeiros tiros. Eram os torcazes a
deixar a dormida e a rumarem aos
restolhos. As rolas, essas, são um
pouco mais dorminhocas… Ouço
os primeiros tiros em Parada. Vai
começar o movimento… Estou
bastante tempo inactivo e não
consigo abater a primeira rola,
apesar de me ter entrado bem.
Elevo a concentração e a próxima
que entra, sem me ver, é abatida.
Vou cobrá-la e, para com os meus
botões, o sentimento é de que a
grade está safa!
Mais tiros ao longe e em Parada
também. Quero acreditar que as
rolas vão aparecer. Dois tiros perto
colocam-me em sentido. É uma rola
que atravessa o lameiro. Meto a
Beretta à cara e a ave tomba
redonda com o segundo tiro. A coisa
está a compor-se… Será que chego
às cinco da última temporada? A
interrogação é válida e anima a
alma…
Confiante, tranquilo, abati, quase
de seguida, uma rola difícil, a voar
de forma desenfreada e larga, ao
primeiro tiro. Cai um pouco longe e
tenho de marcar o sítio de cálculo.
A procura demorou alguns minutos,
mas acabei por dar com ela! Três
é a conta que Deus fez. Estava
“empatado” com a manhã da
abertura de 2013… Mais tiros na
minha frente e vejo uma rola a voar
de forma lateral, larga, em direcção
a dois castanheiros conhecidos e
de referência naquela área. Jogo o
tiro e vejo a ave tombar. Belo
disparo! Tenho a noção de que a
rola tombou viva e apresso-me a
subir o muro e a fazer o cobro. Uma
asa partida impede a rolar de fugir,
apenas dá uns pequenos saltos. A
quarta estava na trela! Quem
ad i v i nhava aque l a manhã !
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