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CAÇA MAIOR
um emigrante minhoto de sucesso
em terras de França, no ramo da
construção civil, a sua Turcaça pôde,
uma vez mais, acompanhar de perto
uma caçada na Zona de Caça
Nac i ona l da Lombada, nas
imediações da aldeia de Rio de
Onor.
Jorge Pereira apresentou-se em
Bragança muito bem equipado, na
verdade, com uma Chapuis Express
(canos laterais), no calibre 9,3X74
R, e uma mira óptica a condizer, da
Z e i s s , q u e
d i s p e n s a
predicados, mas
a l go f o r a da
real idade para
Montesinho, onde
uma carabina de
f e r r o l ho , com
ó p t i c a
d e
m é d i a / a l t a
qualidade, casa
melhor em função
de disparos que
podem ir além dos
100 metros, por
v e z e s
e m
cond i ções de
ba i xa l umi no -
sidade.
Habituado a caçar
de batida em terras gaulesas, a
veados, corços e javalis, Jorge
Pereira, desafiado por um amigo
transmontano de Rebordãos,
Bragança, a caçar em Montesinho,
o Teófilo, também emigrado em
França e companheiro de caçadas
e almoçaradas, não deu ouvidos ao
armeiro francês, que aconselhou,
obviamente, outro tipo de material
para a caçada em perspectiva, e
acreditava que seria possível atirar
a um veado na casa dos 50/60
metros, onde a express (e o calibre
que trazia) é terrivelmente eficaz.
Na primeira saída de campo, pagou
caro, como era expectável, o seu
erro. Sem apoio, ou seja, sem tripé,
atirando como em montaria, o
caçador viu fugir um veado, errado
a cerca de 80/100 metros, com dois
tiros.
“No primeiro tiro, tinha-o dentro do
óculo… O segundo já foi largo”,
lamentou, pouco depois, torcendo
a orelha ao equipamento que tinha
reservado para a caçada e,
convenhamos, de alta qualidade e
só acessível a carteira gorda. Mas
cada ferramenta tem a sua utilidade,
o seu cenário ideal.
Mas não seria pela carabina, no
caso pela falta dela, que Jorge
Pereira não cumpriria o sonho de
abater um veado t roféu em
Montesinho, repto que aceitou
quando o amigo Teófilo o lançou
para a mesa .
Apareceu então, como que
milagrosamente, uma carabina de
ferrolho, no cal ibre 270WM,
equipada com uma ópt ica de
qualidade (média) e “zerada” a 100
jardas (91 metros). Tratando-se de
um calibre voador, e com a ajuda
de um telémetro capaz de indicar o
desconto a efectuar conforme a
distância e o ângulo de tiro, o
caçador estava, pois, equipado para
fazer um disparo entre os 200 e os
3 0 0 m e t r o s !
Venha de lá o
“bicho”!
A
s a í d a
vespertina, porém,
f o i i n f ru t í f era .
Ouviu-se bramar,
caçador e guia (o
amigo Agostinho
sempre na luta),
t e n t a r a m a
aproximação, mas
não foi possível
entrar ao veado
sinalizado.
2º dia: manhã de glória!
Nada estava perdido e agora Jorge
Pereira estava servido, no que toca
a equipamento. Claro que a carabina
era diferente, a relação com o gatilho
da mesma também, mas, porra!,
isso seria impedimento para não
cobrar o “bicho” com que sonhara
nos últimos meses?