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CAÇA MAIOR
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Como sempre, a equipa chegou ao
terreno ainda de noite. Colocados
em postos nevrálgicos, o “bicho”
eleito é identificado, primeiro, com
o auxílio de binóculos e telescópios,
e só depois guia e caçador tomam
decisões quanto à aproximação, em
sintonia com as indicações de quem
comanda as operações.
O terreno, de encostas acentuadas
e vales profundos, onde predomina
a carqueja, obriga a estar em boa
forma, mas permite, ao mesmo
tempo, boas entradas e, por norma,
não muito violentas em termos de
esforço físico, por serem curtas em
espaço e tempo.
A primeira entrada da manhã
demorou mais de uma hora e
acabou por não dar em nada. O sol
começou a subir e a aquecer e o
som dos bichos foi diminuindo de
intensidade. Ficava a sensação de
que a manhã estaria gasta. No
entanto, José Lourenço deu
indicações para prosseguir a caçada
e referenciou veado próximo do
caçador e do guia.
Seguiu-se nova aproximação. Boa
entrada, com o caçador a ficar a
70/80 metros do bicho, este na
chapada em frente, sem dar pela
presença dos perseguidores.
Carabina à cara, sem apoio, tiro na
zona vital (na “caixa”) e “bicho” a
rolar até ao fundo da encosta (ligeiro
va l e ) . Ta r e f a cump r i da e
rapidamente notícia nos rádios da
formação do ICNF no terreno.
A l e g r i a g e n e r a l i z a d a ,
evidentemente.
Jorge Pereira acabara de ganhar o
desafio que lhe foi proposto e que
aceitou sem hesitações. O sonho
era agora uma realidade. O porte
majestoso e a envergadura do
veado, sinal de uma alimentação
abundante e de qualidade, eram
disso prova imensa, minutos depois
já plasmada em fotos, tiradas no
terreno e antes de colocar o bicho
no jipe para ser conduzido até ao
matadouro de Bragança, para
desmanche e controlo sanitário da
carne.
Os abraços e as fel ici tações
sucediam-se. A adrenalina ainda
estava muito activa e a medição
apontava no sentido da medalha
mais desejada – a de ouro! Mas,
para além desse “pormaior”, Jorge
Pereira já tinha uma certeza:
“Vou voltar para o ano. Gostei muito
da exper iência, mas estava
convencido que seria mais fácil e
que poderia atirar mais perto”,
confessou à Turcaça, garantindo
que, da próxima vez, se apresentará
em Bragança com o equipamento
adequado à caçada. Bem, caro
amigo, mais uma despesa…
Terminou, claro está, em beleza o
raide até Montesinho, território e
paisagem desconhecidos do
caçador, pois Jorge Perei ra
regressava a Paris dois dias depois
(domingo, o último de Setembro),
por obrigações laborais.