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CAÇA MAIOR
ão perfeita
emprestavam calor ao ambiente.
O pequeno-almoço, denominado
pelos monteiros de mata-bicho,
refeição essencial para preparar o
físico para as horas que se seguem
da montaria, começou a ser servido
às 9 horas, como estava previsto
no programa.
Às 10.15 horas, o edil local, António
Soares, deu as boas-vindas a
montei ros e acompanhantes,
passando de imediato a palavra ao
seu homólogo egitanense, Álvaro
Amaro, embora presente na
qualidade de monteiro e presidente
da Confederação Nacional dos
Caçadores Portugueses (CNCP),
nomeado entretanto director de
montaria.
Às 10.30 horas, e ao toque de
trompas da banda de músicos de
Penamacor, começaram a sair as
armadas, tendo que percorrer 14
quilómetros até à mancha a armada
que transportava os monteiros
co l ocados nas por tas ma i s
longínquas.
Mancha enorme – 700 hectares -,
muitas armadas, mesmo assim a
colocação dos monteiros, visando
o fecho da extensa área a montear,
foi cumprida dentro do horário
previsto, com uma pontualidade
digna dos britânicos.
Animação constante
A mancha tinha na ordem dos 700
hectares e mato até dizer chega.
Mas a organização tomou as
devidas medidas – 21 matilhas. Não
seria por falta de matilheiros e de
cães que os porcos f icar iam
acamados.
Para quem conhece e vive a festa
monteira, sabe o que se seguiu após
a largada das matilhas e perante o
quadro de caça: uma animação
constante, obviamente, com ladras
e t i ros quase ininter ruptos.
Os cães não se calaram e os
monteiros, com a adrenalina no
máximo, foram fazendo o gosto ao
dedo, somando lance atrás de lance,
sem tempo para deitar contas à vida.
Dado o número de porcos abatidos,
os tiros superaram as três centenas
(!), ecoando por montes e vales e
evidenciando uma presença
massiva de javardos na mancha e
augurando um resul tado de
arromba.
Amontaria terminou às 15.30 horas,
mas só pouco depois, devido a falta
de comunicação móvel, soou o
f ogue t e , pondo t e rmo à s
hostilidades.
A boa nova, essa, já corria entre
portas, entre armadas – mais de 40
j ava l i s aba t i dos . 42 , ma i s
concretamente, trazidos até à junta
de carnes, embora no dia seguinte
tenham sido ainda recolhidos mais
alguns porcos, abatidos em zonas
de difícil acesso. Que fartura, minha
gente!
Os monteiros não demoraram a
regressar ao ponto de partida, onde
foi servida uma merenda, com dois
porcos no espeto e outras iguarias,
para reconfortar o estômago e
aquecer corpo e alma, embora o
sangue tivesse fervido perante a
animação da caçada.
O excelente jantar no Hotel Palace
SPA, nas Termas de Santiago,
marcou o ponto final numa jornada
de caça e num dia verdadeiramente
inesquecíveis e difíceis de superar
no contexto das montarias com a
chancela da Casa do Pessoal da
RTP. Mas quem tem ambição, e isso
não é pecado, quer sempre mais.
J.P.