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AO REMATE
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P
rovavelmente esta época
venatória não voltarei a caçar por
motivos totalmente alheios à minha
vontade. Quando me for possível,
relatarei o sucedido, até para
exemplo de outros confrades e
companheiros que poderão ser
vítimas do mesmo tipo de armadilha.
Como dizia o Imperador Cláudio
“Não conf ies em ninguém” .
Tenho tido notícias de caçadores
que vêem a sua actividade muito
pouco produtiva porque este ano
parece ter-se tornado muito pior do
que deixava antever.
Quer em terreno livre, como em
coutos privados (não me refiro à
caça semeada, claro…), quer se
trate de caça menor ou maior, todos
se queixam da falta de quantidade
e qualidade das mesmas. E não
tem sido por escassez (talvez
exagero) de chuva.
E agora uma notícia preocupante.
Por passagem na Ser ra de
Monterrey, na Galiza, fui informado
da cada vez mais preocupante
míngua de corços provocada por
zoonoses endémicas que também
afectam a nossa zona raiana, esse
cervídeo gracioso e ágil que se
esconde e foge com a velocidade
de um raio, muito e nervoso e
rápido, sobre pernas delgadas, altas
e elegantíssimas.
Este belo exemplar da nossa fauna
que no início do século passado era
tido de longevidade até aos quinze
anos, agora não passa dos nove
para fêmeas e sete ou oito para os
machos. No entanto, conseguiram
adaptar-se aos novos terrenos de
cultivo e é vê-los em restolhos e
prados quando, no passado, só se
detectavam nas montanhas ricas
em vegetação verde e frondosa,
alimentando-se de erva fresca,
frutos silvestres e tudo o que fossem
vegetais tenros e suculentos.
Não é animal que se deixe levar por
cevadouros e outros engodos.
Visto tratar-se de difícil caça, mas
na moda há uns tempos, tal qual a
ga l i nho l a , qu i se r am f aze r
repovoamentos em zonas que nada
têm a ver com esta espécie. É claro
que a ga l i nho l a não é de
repovoamento e ao corço pouco
falta para vê-lo nos areais da praia
Olhar por cima do ombro