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AO REMATE
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da Rocha.
É evidente que não resulta porque
a caça de aproximação não é para
todos.
E a descabida mania dos troféus e
suas medalhas cada vez me parece
mais descabida.
Se um animal é excelente, deixá-lo
transmitir os seus genes e será alvo
de caça colectiva quando em fase
decadente, isso sim, é a verdadeira
caça conservacionista.
Agora, com potentíssimos aparelhos
ópticos de aproximação ver se a
galhada passa uma mão-travessa
ou mais acima das orelhas, para
atirar e abater, é um acto contra
natura.
Junto fotografias de corços com
evidentes defeitos que foram
eliminados por acção selectiva.
Chamo atenção para as hastes que
ocupam o centro da imagem, de
um velho macho das Island
Escocesas.
Provavelmente seria uma de
implementar uma classificação de
“Troféus Selectivos” para que os
“Zés das medalhas” se dedicassem
a um tipo de actividade venatória
mais limpa. Não me levem a mal
mas é preciso melhorar, a meu ver,
o que não está correto.
Parece-vos justo abater os bons
exemplares em detrimento dos
estropeados?
Parece-vos que a caça é só uma
“feira de vaidades”?
Não é a primeira vez que o refiro,
mas vou voltar a fazê-lo:
- No Império Bizantino, era costume
àqueles a quem era concedida a
honra muito desejada de caçar nas
tapadas imperiais colocarem, sobre
a porta de entrada de suas casas,
os chifres dos veados que abatiam
em tão selectos lugares. Era a forma
de tornarem pública a honra e
privilégio com que tinham sido
agraciados.
Como tudo tem o seu reverso, o
Imperados Andrónico I, amante da
caça e do belo sexo, concedia
frequentemente tal estatuto aos
maridos das excelentes Donas que
cobiçava…
E então, em vez de as hastes
co l ocadas sobre as por tas
significarem a honra recebida pela
caça passaram, isso sim, a apregoar
a desonra sofrida pelo marido.
Não me levem a mal por esta
citação, mas julgo ser um bom
exemplo a ter em conta sobre o
excesso de exibicionismo que se
dá aos ditos ‘troféus’.
Um Excelente Novo Ano de Caça,
Pedro Rigaud D’Abreu