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CAÇA MAIOR
evento. Por isso, quinze dias depois,
já no novo ano, regresso à Mancha
da Coutada. A grande vantagem
traduziu-se no repetido convívio,
desta feita num monte algures para
os lados da Negrita, onde o anfitrião
Bento Caldei ra amavelmente
regalou os seus amigos com uns
mimos gastronómicos de confecção
aprimorada. Apesar de combalidos
pe l a no i tada , chegámos à
concentração às oito, conforme
estipulado. Colocado no posto, de
imediato avistei três cervas e um
vareto que fugiram espavoridos,
enquanto numa das por tas
anteriores já se disparava. A
excitação era muita e, durante cerca
de quatro horas, as corridas
desenfreadas de dezenas de
fêmeas e crias fizeram disparar a
adrenalina, sempre na expectativa
do macho, se possível, com troféu.
Durante este tempo, vi cair um
veado no posto ao lado e desfechei
um único tiro a outro sem conseguir
acertar, tal a rapidez com que
desapareceu por entre as estevas!
Apesar do frio, suei devido à
excitação provocada por tantos
lances e correrias. Cerca de 250
tiros desfechados por noventa
monteiros para um quadro de caça
com 20 javalis, entre os quais um
bom navalheiro, 18 cervas e mais
de 30 veados, muitos de bom porte,
num total superior a 70 reses. Sem
dúvida uma montaria memorável.
Concluo estas notas, com um breve
resumo de algumas caçadas,
referindo, por dois motivos, a
montaria da Caeirinha, organizada
pela Montarias do Sul, (Francisco
Rosa e António Charneca) em S.
Cristóvão, na estrada Montemor-
Alcácer. Antes do sorteio, os vinte
participantes foram informados de
que os postores ficariam na última
porta de cada armada, podendo o
ocupante da penúltima escolher
entre as duas, erradicando-se por
esta via qualquer suspeita de
favorecimento. Embora ninguém o
tenha feito, considero tal medida
apropriada à transparência dos
métodos e à seriedade organizativa.
A segunda razão é um apontamento
divert ido: o aparecimento no
matagal, súbito e fulgurante, de um
javali (!?) rosado com bolas e
manchas pretas a que não atirei
devido à surpresa e ao imprevisto
da situação… Já os tinha visto em
fotos e filmes, mas ao vivo, nunca!
Fel izmente que o vizinho da
esquerda não lhe perdoou, evitando
que continue a padrear e a contribuir
para o abastardamento da espécie
“sus scrofa”. E assim o nosso grupo
crismou o local, para identificação
futura, como a “ mancha do javali
dálmata”…
Texto e Fotos
JAN
Tête bizzarre de Belgais
Herdade da Baliza
Quadro de Caça (Sto Aleixo)