Página 46 - Turcaça 39 digital

Versão HTML básica

46
CÃES DE CAÇA
N
a primeira parte do artigo, o seu
autor, Luís Barata, fez um resumo
histórico sobre os cães de rasto e
apresentou o cão de pista de
sangue da Baviera. Desta feita,
aborda as suas características e
explica o trabalho de campo que
tem de ser realizado para potenciar
as qualidades – instinto de busca,
nariz, coragem e condição física,
entre outras.
Reflectindo nas características que
um cão de sangue deve ter, e que
o Baviera realmente congrega,
temos uma série de qualidades
requeridas que enumeramos a
seguir. Logo de início, um cão de
rasto tem que ter o desejo de
rastrear, que é afinal o instinto de
busca que necessitamos, e deverá
ser inato já que só se estimula, não
se ensina. Tem que ter bom nariz,
pois será sempre a sua ferramenta
de trabalho base; mesmo que, com
um maior instinto de busca, possa
suprir um pouco a falta de nariz.
Um cão de rasto tem que ter fixação
que afinal é a capacidade de se
concentrar nos rastros que segue,
para que não se desvie para outros
rastos com que se cruze. A
tenacidade, a obstinação e a
persistência de perseverar na busca
são a sua poção mágica. A coragem
e estoicidade, alheando-se de males
e sof r imentos para superar
obstáculos, para perseguir e
enfrentar a peça ferida e a própria
Natureza. Saber aval iar, ser
inteligente e equilibrado, para não
estragar tudo com as outras
qualidades e não se meter em
situações que depois não possa
controlar, que não demasiadamente
passional nem fleumático. Uma
excelente relação com o seu
condutor, com o enorme desejo de
lhe agradar potenciando assim os
seus instintos naturais. E, claro,
uma excelente condição física,
proporcionada pelo exercício e por
uma boa alimentação.
A escolha de um cão de sangue
Quando decidirmos que devemos
ter um cão de sangue, a escolha
poderá ter que ser feita entre vários
tipos de cão, de entre várias raças.
Tem a ver com o condutor que lhe
vamos dar. Assim, devemos sempre
ponderar sobre o assunto nas suas
várias vertentes, e saber bem as
características que queremos que
o nosso cão tenha. Em primeiro
lugar, atenderemos à capacidade
de relacionamento e socialização
que necessitamos que o cão tenha
relativamente a outras pessoas e
out ros cães. Depois, para
seleccionar a raça
,
pensaremos nas
nossas reais possibilidades de
alojamento, de transporte, de
dedicação, etc. Logicamente, o
condutor deverá ser compatível com
o temperamento e físico do cão. Há
que pensar também sobre quais
são as reais necessidades que
temos. Precisamos mais de um
exemplar polivalente ou de um
especialista? Faremos também um
ponto de ordem a nós mesmo