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CÃES DE CAÇA
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quanto às possibilidades de treino
e também às oportunidades reais
de rastreio que vamos ter para
proporcionar trabalho ao cão. Na
con t i nuação do p r oces so ,
chegamos à procura da ninhada,
sobre a qual deveremos ter
bastantes referências sobre o
criador, sobre os progenitores e
antecessores, os seus pedigrees e
provas de trabalho dadas. Na
selecção do cachorro, a observação
deverá ser intensa, em várias
situações, com e sem a mãe, junto
com os i rmãos ou sozinho,
ava l i ando o seu g r au de
de s en v o l v i men t o mo t o r e
psicológico, expondo-o a situações
de stress ou intimidativas ou
agradáveis e de brincadeira. A ideia
é descartar assustadiços ou
agressivos ou submissos, valorizar
a tendência à social ização e
adaptação, dependendo dos nossos
conhecimentos e apoiados nas
informações do criador. Poderemos
fazer uma pequena ‘ ’ tenta’ ’ ,
simulando um rasto para perceber
o interesse que tem pela lide e
avaliar o seu instinto de presa e até
proporcionar um contacto com uma
peça de caça ou uma pele
,
por
exemplo
,
e mais uma vez verificar
e interpretar reacções. Costumo
dizer sempre que os criadores põem
50% do cão e os restantes 50%
quem põe
,
ou tira
,
é o dono. No
caso do Baviera, teremos o melhor
dos especial istas! Uma vez
escolhido o nosso cão, ou cadela,
devemos começar desde o primeiro
momento a trabalhar com ele!
Cuidados a ter
Os cuidados a ter como nosso cão
de sangue não diferem daqueles
que se devem ter com qualquer
outro cão. Um local seco e arejado
para ele estar, confortável e
abrigado do frio e do calor, espaço
para circular, água limpa e fresca
permanentemente, boa e indicada
alimentação, higiene local e limpeza,
desparasitações internas e externas
periódicas, vacinações completas
e adequadas em prazo, e trabalho,
acção, socialização, contacto com
o ambiente em que se afirmará.
O trabalho de campo
Para o cumprimento das suas
funções, qualquer cão deve ser
so l i c i tado pa r a que possa
corresponder. A inactividade e a
dolência, o não aproveitamento ou
apenas parcial são inimigos do cão
de caça e principalmente do cão de
rasto de sangue. A interacção com
o cão deverá ser constante, rotinada
e progressiva. Logo de início o forte
vinculo afectivo entre condutor e
cão tem que existir. Depois
,
de
ve
ser
desenhado um programa de
t re i no , de acordo com as
possibi l idades existentes mas
sempre ambicioso. O formato será
de intensidade progressiva, mas
sem pressas já que o cão deverá
gostar do que faz e de se divertir
com as actividades propostas em
todos os exercícios a executar.
Deve r emos se r coe r en t es ,
coordenados e constantes sempre
que agimos e interagimos com o
nosso cão. Partiremos sempre do
fácil para o um pouco mais difícil,
mas sem complicar. Numa fase
inicial; traçaremos rastos arrastando
pele ou vísceras e sangue,
despertando assim o interesse do
cão em baixar o nariz e seguir os
rastos. No final do rasto encontra a
sua recompensa. Seguidamente,
começar com o cão solto e depois
passamos a uma trela leve,
animando o cão quando chegue à
peça e observando a sua reacção;
se ladra, animá-lo mas não arrastar
nem voltear a pele ou a peça; se
não ladra ou morde, arrastar a pele
ou a peça para estimular o instinto
de caça. A partir daí, o cão deve
reconhecer uma série de ordens
básicas: sentado, dei tado, à
esquerda, quieto, vem, trás…
Devemos trabalhar frequentemente
com o cão em períodos curtos mas
sem castigar nem fatigar, finalizando
o exercício correctamente e
premiando quando o exercício foi
correto mas evitando passar a
exercícios novos se o anterior não
foi
bem
conseguido. Só “apports”
positivos. É muito importante que
utilizemos sempre a mesma coleira
e a mesma trela em todos os
exercícios, criando como que um
ritual.
Método
Utilizaremos para traçar pistas
artificiais de treino, sangue que
recolhemos de uma rês depois de
uma caçada, as patas desse mesmo
animal e ainda um pedaço da sua
pele. O sangue pode ser guardado
no congelador numa garrafa de