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CÃES DE CAÇA
E
sta raça de cães cobradores
cativou a admiração de milhões de
caçadores em todo o mundo - e
com razão. Obediente, é dono de
um faro quase inigualável. O
Retriever impressiona pela
regularidade que demonstra no
campo.
No mundo da caça e dos cães existe
uma raça que não pode passar
despercebida, que é a dos Retriever
- cobradores por excelência e
originários do Canadá. Os ingleses
utilizam-nos como auxiliares dos
seus cães de parar, por exemplo,
dos setters ou dos pointers para
cobro da caça abatida. O trabalho
de um bom retriever é muito simples
e decorre desta forma: acompanha
o cão de parar sempre a uma certa
distância, sem nunca prejudicar o
trabalho do seu companheiro.
Quando é feita uma paragem, o
Retriever fica imobilizado e deve
respeitar o levante da ave para que
o caçador a abata, fazendo o cobro
à sua ordem, de forma alegre e
precisa até ao ponto da queda da
peça. Se por acaso não visualizar
a sua queda, utilizará o faro para a
recuperar, morta ou ferida. Na caça
às aves aquáticas, o Retriever deve
permanecer quieto, sentado ou
deitado junto do caçador, apenas
marcando as peças abatidas, para
depois, mediante as ordens do seu
dono, as recuperar uma a uma sem
excepção. Devemos ter em conta,
no Retriever, as suas qualidades de
caçador: como o seu formidável
faro, indiscutivelmente um dos
melhores, que lhe permite detectar
qualquer peça de caça que caia
ferida; a sua possessividade, que
faz com que não deixe uma única
peça de caça; e, por último, a sua
memória visual, incomparável com
qualquer outra raça, que lhe garante
presença em largadas de perdizes
ou faisões, pois fixa bem os pontos
de caça. Qualidades, essas, que
levam a que, embora utilizado
sobretudo para a caça de pena, este
cão seja muito requisitado também
para a caça de pêlo. O que acontece
com o Retriever é o que tem
acontecido com algumas raças de
cães: foi sendo seleccionado para
a beleza, deixando para trás as suas
qualidades de caçador, por isso na
aquisição de um caçador há que ter
em conta o seu criador e a vertente
a que este dá mais importância.
O treino do Retriever consiste num
t rabalho de base, que é a
obediência. Para isso temos de ter
em conta alguns aspetos como a
receptividade do animal ao ensino
ou o seu carácter.Numa primeira
fase, o ensino do Retriever será
andar com o cão pela trela. O ensino
começa normalmente aos seis ou
sete meses e, embora pareça
inicialmente complicado, com o
tempo o animal habituar-se-á e o
que parecia complicado acaba por
se revelar compensatório. Deverá
andar com o seu cão do seu lado
esquerdo e mantê-lo sempre junto
a si. O animal poderá querer alterar
a escolha ou andar mais à frente
outras vezes, mas com a ajuda da
trela eduque-o a andar á esquerda
de quem o leva e sempre lado a
l ado. Numa segunda fase,
entraremos no ensino de sentar o
cão. Após a conclusão do ensino
anterior e quando se aperceber de
que está assimilado, tentamos dar
uns passos com o cão e ao parar,
simultaneamente com a palavra "
senta", baixamos os (patas)
posteriores, fazendo pressão até o
seu cão sentar. Se oferecer alguma
resistência, podemos dar um toque
com a t rela ao mesmo que
pressionamos os posteriores e
dizemos "senta" . Podemos dar
igualmente uma guloseima para que
fique satisfeito. E ao fim de algumas
sessões, o cão irá sentar-se apenas
com a ordem verbal.
Após a assimilação deste segundo
exercicio, passamos para a terceira
fase. Nesta fase, vamos tentar que
o animal se sente distanciado do
seu dono. Devemos levar o cão
para o campo, ou noutro espaço
onde possa estar com amplitude de
terreno. Afastamos o cão quatro ou
cinco metros e utilizamos uma trela
extensivel, após o que chamamos
o animal até que este venha ao
nosso encontro.
Pode utilizar-se a trela para o puxar
caso haja resistência, pois deste
modo temos a certeza de ter o
controlo sobre o cão e que ele virá
até nós.
Devemos sempre puxá-lo em linha
recta, o que, mais tarde, ser-nos-á
útil para o ensino do cobro. Este
ensino repete-se até o animal
assimilar o exercício e depois tira-
se a trela.
Na última fase, por certo a mais
complicada - a do cobro – procede-
se da seguinte forma: com o cão
sentado ao nosso lado e na posse
de uma peça morta, vamos mandar
a peça de caça a dois ou três metros
à nossa frente e mandar o cão
cobrar a ave.
É muito natural que, no início, o cão
corra imediatamente atrás da caça,
mas este impulso inicialmente não
tem grande importânci. Com o
decor rer do exercício e ao
constatarmos que o cão continua a
correr atrás da ave, há que
repreendê-lo. O cão deve perceber
que só sai para ir atrás da peça se
o dono mandar e não antes.
Se não resultar, então voltamos a
colocar a trela e fazer todo o
exercicio, com ou sem trela,